1.º Domingo depois da Páscoa – 19 de abril de 2020

S. João 20,19-31

A comunidade cristã gira em torno de Jesus, constrói-se à volta de Jesus e é d’Ele que recebe vida, amor e paz. Sem Jesus, estaremos secos e estéreis, incapazes de encontrar a vida em plenitude; sem Ele, seremos um rebanho de gente assustada, incapaz de enfrentar o mundo e de ter uma atitude construtiva e transformadora; sem Ele, estaremos divididos, em conflito e não seremos uma comunidade de irmãos… Na nossa comunidade, Cristo é verdadeiramente o centro? É para Ele que tudo tende e é d’Ele que tudo parte?

A comunidade tem de ser o lugar onde fazemos, verdadeiramente, a experiência de Jesus ressuscitado. É nos gestos de amor, de partilha, de serviço, de encontro, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a transformar e a renovar o mundo. É isso que a nossa comunidade testemunha? Quem procura Cristo encontra-O em nós?

Não é em experiências pessoais, íntimas, fechadas, egoístas que encontramos Jesus ressuscitado; mas encontrámo-l´O no diálogo comunitário, na Palavra partilhada, no pão repartido, no amor que une os irmãos em comunidade de vida.

Neste tempo que nos sentimos angustiados, receosos pela nossa existência, remetidos à ausência de gestos, afetos e carinhos, é o tempo ideal para silenciar o nosso egoísmo, silenciar o nosso poder, o nosso querer, é o tempo de limitar a nossa vontade e viver o verdadeiro sentido da fé, aquela que não se vê, que não se pode tocar, é o tempo de procurarmos no nosso coração o verdadeiro sentido da partilha, é o tempo para renovar o verdadeiro sentido da nossa existência e o tempo de, quando a hora chegar, lembrar que este tempo existiu, passou e que o poder de acreditar perdurou e perdurará.

Jorge Filipe Fernandes

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