Domingo de Páscoa – 12 de abril de 2020

S. Mateus 28,1-10

Mateus fala de ‘temor e grande alegria’ no verso 8 (ecoando Lucas na narrativa do nascimento). Há grande comoção por todos os lados: Onde Jesus aparece? Quando Jesus ressuscita? O que Jesus faz, o que Jesus diz? As versões são várias: há sombras e pouca claridade em cada narrativa. A sombra e’ por que segundo os Evangelhos, tudo acontece no silêncio da madrugada, na luta entre as trevas da morte e a claridade do renascer. As narrativas da Pascoa sã

o sombrias, silenciosas, fragmentadas e calmas para contrastar a brutalidade da sexta-feira e com o júbilo do domingo da ressurreição.

Mateus diz um pouco, Lucas acrescenta sua versão, Marcos acrescenta seu ponto de vista e João resume no seu próprio estilo. Não existe uniformidade, tudo indica que a ressurreição parece boa demais para ser verdade (na realidade a vida nos da tanta alegria que nem dura muito), ou temos medo que tal alegria seja boa demais para ser verdade.

E assim vamos substituindo a sepultura pela cesta de ovos coloridos, o cordeiro de Deus pelo coelhinho, as ervas amargas pelo chocolate. E os sermões que ouvimos no domingo da Pascoa, nem acrescentam nem diminuem a mensagem, na maioria das vezes nem fazem jus as Boas Novas que são bases da nossa fé. A única certeza e’ que algo decisivo, imperativo, impossível de imaginar aconteceu: Cristo está vivo.

Enquanto Natal tem tantos ornamentos, símbolos, temas e metáforas, a Pascoa tem apenas dois: a cruz e o túmulo vazios. Enquanto que a natureza prova que existe ressurreição e os bulbos de tulipas rompem o gelo e voltam a vida, a igreja as vezes também faz alarde, o maestro prepara um introito, o coro faz o melhor que pode, a florista traz os melhores lírios do mercado, presbíteros e presbíteras abrem os comentários empoeirados e oram mais fervorosamente por inspiração. Em lugares remotos como no Outback, as mulheres aparecem com os melhores vestidos e o melhor chapéu-de-sol como se fossem pra uma corrida de cavalos com a rainha da Inglaterra. O Domingo de Pascoa exige o nosso melhor.

Para Mateus, quem pode nos dar detalhes do que realmente aconteceu e’ Maria Madalena, por isso a palavra que ele usa e’ enviada, comissionada, ordenada, Madalena a primeira apostola, a mulher que rompe o cerco das autoridades romanas e o silêncio do sinédrio. Madalena diz com todas as letras que o Cristo ressuscitou e desde então, Maria, os discípulos, seus Irmãos e a igreja primitiva fazem de tudo para encontrar Cristo na estrada para Emaús, nos Cenáculo, nas catacumbas ou nos sacramentos.

Portanto, se houve morte mais injusta, mais obscena, mais vil, foi a morte de Jesus de Nazaré, de igual modo, se houve ressurreição de um santo, de um intercessor, e salvador, essa gloria pertence apenas ao Cristo, filho de Maria e igualmente filho de Deus. E’ por causa da ressurreição que devemos nossa existência e identidade como cristãos e como igreja. Se Cristo não ressuscitou e’ vã a nossa fé. E’ a Pascoa que inspira-nos buscar o rosto de Cristo e aproximarmo-nos dele, bem como proclamar a outros nossa própria ressurreição e redenção pois como Maria Madalena testemunhamos em nossas corpos a verdade das nossas próprias Sextas-feiras da Paixão e Domingos da Ressurreição: Ele Vive!

Abilene, Presbítera

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