Domingo de Ramos – 5 de abril 2020

S. Mateus 27,11-54

A liturgia do Domingo de Ramos é caracterizada por ter duas leituras do Evangelho. A primeira relata-nos a entrada de Jesus em Jerusalém aclamado pelas multidões e sentado em cima de um jumentinho. A segunda leitura é a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e narra-nos o que aconteceu desde que comeu a Páscoa com os seus discípulos até à morte na cruz. Quando se faz a primeira leitura, usa-se normalmente uma versão mais simplificada da Paixão, que começa com a entrega, pelos sacerdotes judaicos, de Jesus a Pilatos.

A leitura da Paixão no Domingo de Ramos tem origem na tradição dos primeiros cristãos que se reuniam regularmente ao domingo. Durante a semana era tempo de trabalho e no domingo anterior à Festa da Páscoa lia-se a Paixão.

Quando se lê a narrativa da Paixão e Morte de Jesus pela primeira vez, pode-se ficar com a ideia que há vários culpados. Parece-nos que o primeiro culpado é Judas, depois os chefes dos sacerdotes judaicos, depois a multidão que gritava: crucifica-o, crucifica-o, e finalmente Pilatos que entregou Jesus para ser crucificado.

O Evangelho tem de ser lido no seu contexto e a Paixão também. No início do seu Ministério, Jesus anunciava: arrependam-se dos pecados, porque o Reino dos céus está a chegar. Depois de Pedro ter declarado que Jesus é o Messias, Jesus começou a explicar aos seus discípulos que era preciso ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei, que haviam de matá-lo, mas ao terceiro dia havia de voltar a viver.

Na noite da Paixão Jesus dirigiu-se ao Getsémani e orava: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice de amargura. No entanto, não se faça a minha vontade, mas sim a tua. O que se passou na Paixão não foi iniciativa dos chefes dos sacerdotes, das multidões ou de Pilatos, mas sim da vontade do Pai. A par da natureza divina de Jesus, confirmada pela Ressurreição, encontramos a natureza humana de Jesus que o leva a sentir e sofrer como qualquer homem. O sofrimento de Jesus, não foi uma mera vontade do Pai. Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, sofreu para que o Pai se reconciliasse com o homem pecador.

Quem condenou Jesus, quem gritou crucifica-o, quem o entregou para morrer foi o nosso pecado. Por isso, revivermos a Paixão e Morte de Jesus, implica que examinemos profundamente a nossa relação com Deus, para sentirmos a culpabilidade do nosso pecado no enorme sofrimento da Paixão e Morte de Jesus.

Carlos Duarte, Presbítero

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