Sexta-feira da Semana Santa – 10 de abril de 2020

S. João 19,1-37

O Evangelho de São João, está repleto de sinais, que nos chegam muitas vezes através de metáforas.

Neste Santo dia, a Igreja propõe-nos uma reflexão ao nível da atitude do homem, quer seja poderoso ou humilde, a brutalidade das multidões descontroladas, em contraposição com a compaixão do homem com bom coração, inspirado pela misericórdia de Deus.

A cobardia de Pilatos, ficou na história dos homens e da Igreja. Aquele homem com poder para decidir sobre leis humanas, mas fraco e que não conseguiu resistir à multidão em fúria, castigando o Homem bom, no qual não via qualquer crime ou maldade e libertando o criminoso. Atitudes que ainda hoje podemos presenciar em políticos sem escrúpulos, que cedem à multidão do eleitorado, esquecendo-se muitas vezes de defender o podre, humilda, sem recursos ou sem abrigo, pois desse virão poucos votos e pouca luz das câmaras. O seu remorso e consciência pesada, leva-o a escrever uma lápide onde escreve a verdadeira condição do condenado: “JESUS NARAZENO, REI DOS JUDEUS”.

Já no sofrimento do calvário e após difícil caminhada carregando a cruz às costas, Jesus presencia um misto de maldade – quando lhe dão de beber vinagre em vez de água – mas as escrituras continuam a ser respeitadas “Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sortes sobre a minha túnica”. Apresentou João a Maria, sua mãe, e Maria a João, declarando aqui o seu desejo de que a Sua Mãe fosse também a Mãe da humanidade, sendo que o seu Deus Pai é também o Pai de todos, sob o testemunho de Maria Madalena.

Novamente para que se cumprisse a escritura, João sublinha o facto de não terem sido quebradas as pernas ao corpo morto de Jesus, como fizeram aos restantes crucificados e ainda “Verão aqueles que trespassaram”, uma vez que o soldado trespassou o peito do corpo morto de Jesus. Ironicamente – ou não – estes acontecimentos ocorreram a uma sexta-feira, para que o terceiro dia (da Ressurreição) fosse um domingo e viesse a ser o Dia do Senhor!

O sofrimento e cruz de Jesus serviu-nos para nossa salvação, pois mais importante que a lágrima que deixamos na sexta-feira, é o júbilo da salvação que nos traz o domingo, no qual Jesus venceu a morte.

Rafael Coelho

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