5.º Domingo Depois da Páscoa – 17 de maio de 2020

S. João 14,15-21

Hoje somos preparados para o próximo Domingo da Festa da Ascensão. Jesus foi cuidadoso na preparação dos discípulos para a sai Ressureição. O anúncio da sua morte tem sempre como contrabalanço o murmúrio da sua Ressureição. Ele nunca deixou de os preparar para a transcendência da vida de Deus. Mas nesses momentos o que é eles realmente ouviram? Estariam tão cheios de expectativas acerca da vida que quando chegou o momento de ouvir falar de morte eles não souberam escutar o murmúrio do que é que se seguia? Sobre o anúncio da sua morte, Pedro foi o que o repreendeu: “De forma nenhuma…” Isto reflecte-se no facto que depois do Sepulcro eles desanimaram. Não há textos dos Evangelhos que diga que eles se sentaram à espera da Ressureição! Sentaram-se foi na praia a olhar para o nada… voltaram ao que tinham deixado: barcos e redes! Quando Ele surge, não o reconhecem, só o identificam pelos sinais da Memória e do Memorial. Visualmente pelo gesto elevou os olhos ao céu, tomou o pão e o vinho; e auditivamente pelas palavras: dando graças… “Não ousavam dizer nada”. Este é o silêncio embargado entre o espanto e a alegria do inesperado. Apesar de prevenidos! Cristo não permitiu esse silêncio, havia que anunciar o acontecimento. A Ressureição do Senhor é um acontecimento do domínio do divino, por agora só para Ele, mas que inaugura um acontecimento universal. Não poderia ficar encerrado no silêncio das bocas abertas das quais nada sai nada… Triunfa a vida nova sobre a velha morte. Talvez tenham pensado que uma vez que a vida triunfou, a eternidade começasse logo ali. Porque é que Ele não haveria de ficar com eles para sempre? Afinal isso é que é a eternidade! Outra despedida…? Dizer: “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós” traz para a fé um suplemento de família. A orfandade era uma desgraça. Ainda hoje é digna de misericórdia, cuidado religioso e social, e mais se o órfão for menor, indefeso, sem subsistência ou família. Faltar-lhe-á afecto! Mas não é como adultos órfãos que Cristo nos deixará no próximo Domingo, mas como crentes necessitados de afecto e cuidados constantes, conselhos e orientações que refreiem ímpetos e precipitações, que dê sentido à existência. Ele promete-lhes/-nos a sua presença não como quem o vê, mas como quem o sente. É a promessa do sublime “Consolador”. Palavra que diz tudo o que há para dizer…! Como filhos de Deus, não somos tão adultos como pensamos, nem tão crianças como julgamos. Na Igreja vivemos entre a Ressureição dele que já aconteceu e a nossa que acontecerá. Necessitamos de um Pai para confiar, que nos acorde para lançarmos a rede do trabalho; que quando nos larga da mão nos prepara na praia umas brasas com pão e um peixe; que quando estamos inquietos nos diga: “ a paz seja contigo!”, que nos momentos em que não sabemos de onde nos chega tanto bem, força, misericórdia, e perdão que nos diga “sou eu!”. Não há orfandade na fé Cristã! Acreditem que sei do que escrevo…

José Manuel Cerqueira

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