Dia de Pentecostes – 30 de maio de 2020

S. João 20,19-23

Quando falamos do Dia de Pentecostes lembramo-nos da narrativa do capítulo dois do livro dos Actos dos Apóstolos.

No dia da Festa do Pentecostes, que os judeus celebravam cinquenta dias depois da Festa da Páscoa, os discípulos, que dez dias antes tinham assistido à Ascensão de Jesus e que tinham ficado na espectativa da sua segunda vinda, estavam todos reunidos em Jerusalém. De repente, veio do céu um barulho e apareceu uma espécie de línguas de fogo que desciam sobre cada um deles e todos ficaram cheios do Espírito Santo. O que se seguiu, deixou a todos admirados, mas alguns começaram a criticar o comportamento dos discípulos. Então, Pedro levantou-se e fez o seu primeiro sermão.

Embora a acção do Espírito Santo, entre os discípulos de Jesus, se tenha começado a manifestar a partir do Dia de Pentecostes, o Espírito Santo é revelado ao longo dos Evangelhos. Os evangelistas sinópticos relatam o Espírito Santo descendo sobre Jesus, como uma pomba, quando foi baptizado por João no rio Jordão. Também nos dizem que foi o Espírito Santo que conduziu Jesus ao deserto onde permaneceu quarenta dias e quarenta noites, no fim dos quais foi tentado.

Ao longo do seu ministério, Jesus alertou que qualquer pecado contra Deus poderá ser perdoado, mas a palavra ofensiva contra o Espírito Santo não será perdoada (Mateus 12, 31-32). Porque não há perdão para quem usar palavras ofensivas contra o Espírito Santo? No nosso conceito de justiça, aparentemente, não encontramos razão para esta falta de perdão.

A Bíblia tem de ser lida em contexto. Nos ensinamentos finais dirigidos aos seus discípulos (João 14, 16:26), Jesus diz: Eu hei-de pedir ao Pai que vos envie um outro para vos ajudar, o Espírito de verdade, que há-de viver para sempre convosco. Os que são do mundo não o podem receber, porque não o vêem nem o conhecem. Mas vocês conhecem-no, porque ele está ao vosso lado e dentro de vós mesmos.

E depois de mais alguns ensinamentos Jesus acrescentou: o Espírito Santo que o Pai vos enviará a meu pedido, há-de ensinar-vos tudo e fará com que vocês se recordem de tudo e fará com que se recordem de tudo o que vos ensinei.

Estamos a viver um tempo estranho. A pandemia do Coronavírus Covid-19 obriga-nos ao isolamento social, que inclui a suspensão dos serviços religiosos com presença física de pessoas. Embora recolhidos em nossas casas, podemos comunicar uns com os outros através dos variados meios de comunicação de que dispomos.

E em isolamento e em comunicação é tempo para aprofundarmos a nossa relação com Deus através da oração e da leitura da sua Palavra. Oremos para que o Espírito Santo nos guie nas incertezas, nos console nas angústias e nos ajude a recordar os ensinamentos de Jesus, levando-nos a tomar as decisões que sejam de acordo com a vontade do Pai.

Carlos Duarte, Presbítero

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