16.º Domingo Comum – 19 de julho de 2020

S. Mateus 13,24-30.36-43

“Deixai crescer ambos, juntos, até à ceifa…”

Estamos diante de mais uma parábola nossa conhecida. Uma das características mais importantes das parábolas é o facto se moveram nos “mundos” em que se moveu o Senhor: a pastorícia, a pesca, a agricultura e a mente humana. Só podemos transportar para os nossos dias um destes mundos que é o da mente humana e ainda bem, porque é o único que permanece quase inalterado. O Evangelho continua a não ceder a excessos nem devaneios de leituras nem a exageros que só servem conveniências extravagantes. Não nos vale a pena cair na tentação de agarrar nas parábolas e fazer delas histórias que falem de bioética, de nutrição, de manipulação genética e alimentos transgénicos ou como se as pudéssemos transformar em parábolas “atómicas” para encontrarmos junto de Cristo aprovação para os disparates que temos cometido. As parábolas, conforme nos chegaram, não se deixam manipular nem domesticar porque não nos falam do que nos falam! Podemos pensar que falam de peixes e ovelhas e semeadores e filhos pródigos, mas elas ultrapassam muito o sentido destas palavras, porque elas falam do género humano e da sua complexidade. Podemos ter dificuldade em ler as parábolas como textos preparatórios para o que as modernas ciências da mente nos ensinam, mas elas ajudam-nos a entender a mente humana. Esta fala-nos dos exageros inerentes às atitudes agressivas. Queremos cortar tudo e todos, queremos ser nós os semeadores e os ceifeiros. Senhor diz-nos que estamos longe de estar preparados para fazer tudo: preparar a terra e a semente, lança-la, fazer a poda e finalmente a colheita. Podemos pensar que fazemos, mas não podemos senão colaborar com Ele, porque, Ele é o que guarda para si sempre o mais importante. A nós até nos convém deixar crescer mesmo diante de nós o que não nos agrada. Esta é uma parábola que nos coloca no nosso próprio lugar diante dele, e o nosso lugar se não é nenhum é pelo menos certamente um lugar muito pequenino…

José Manuel Cerqueiranta

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