Santa Maria Madalena – 22 de julho de 2020

S. João 20,1-8

Maria Madalena foi a primeira testemunha da Ressurreição, líder, amiga e a grande Apóstola dos Apóstolos. Em 22 de julho, celebra-se a Festa de Maria Madalena, apontada por teólogas, como Christine Schenke, como a mulher mais desprezada e mistificada da história cristã. As contradições do patriarcado fazem a história de Maria, que vem de Magdala em busca de libertação, se conectar à história de todas as mulheres.

Neste artigo da série Vozes que nos desafiam. Mulheres na Igreja, compartilhamos a Liturgia das Horas celebrada na Comunidade Monástica de Bose, na Itália, assim como entrevistas e artigos publicados pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU em alusão à Festa de Maria Madalena.

Embora Madalena não tenha escrito cartas como Paulo de Tarso, ela aparece citada em escritos com um amplo protagonismo na Missão dos apóstolos, como destaca a teóloga e parteira Christine Schenke: “Escritos cristãos extracanónicos antigos mostram comunidades de fé inteiras crescendo em torno do ministério de Maria de Magdala, nos quais ela é retratada como alguém que compreende a mensagem de Jesus melhor do que Pedro e os discípulos homens”.

Assim, para a historiadora medieval Katherine Jensen, é um erro manter a visão de Maria Madalena como símbolo do pecado, deixando de enfatizar a relevância do seu apostolado. “Não se deve cometer o erro de pensar que Maria Madalena fosse quer símbolo do pecado, quer símbolo de evangelização. Ela era pecadora antes de sua conversão, mas depois da Ascensão de Cristo, foi pregadora da nova fé”, afirma a historiadora.

Assim como Madalena, outras mulheres se espalharam pelo mundo no cristianismo primitivo. Carolyn Osiek, em artigo publicado por FutureChurch, descreve que as mulheres “desempenhavam papéis de liderança, que incluíam hospedar a igreja em suas casas, evangelizando, ensinando, viajando e oferecendo hospitalidade para receber membros da igreja”.

Christine Schenke reforça que não há consistência em relegar Madalena à pecadora ou esposa de Cristo, tira-lhe o protagonismo, visto que era uma mulher rica e, para além do apostolado, apoiava financeiramente a Missão de Jesus na Galileia.

Essa deturpação da figura de Madalena é também um reverso da relação de Jesus com as mulheres. “O círculo de mulheres que o acompanhavam e lhe prestavam assistência com suas doações pecuniárias – não só Maria de Magdala, mas também Joana, mulher de Cuza – parecem ter o papel de se encarregarem da intendência, o que teria feito com que a existência do movimento de Jesus fosse possível graças às mulheres”, destaca o biblista Régis Burnet.

Embora durante séculos as interpretações acerca de Madalena tenham mudado e sido utilizadas para julgar o papel da mulher na Igreja, Schenke afirma que os registros são incontestáveis: “Maria de Magdala é uma importante mulher líder e testemunha das primeiras igrejas cristãs”.

Rafael Coelho, in: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/590941-vozes-que-nos-desafiam-celebracao-da-festa-de-santa-maria-madalena, (22/06/2020)

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