20.º Domingo Comum – 16 de agosto de 2020

S. Mateus 15,21-28

“E disse ela: Sim, Senhor, mas também os cãezinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores” V.27

Mateus relata-nos este encontro fundamental entre Jesus de Nazaré e uma mulher cananeia, que estava numa situação aflitiva, a de ter uma filha miseravelmente tomada por uma força misteriosa ou “endemoninhada”. É mais uma das mulheres misteriosas que se cruzam com o Senhor. Como outros também elas, acabam sempre por lhe pedir ou implorar qualquer coisa, e todos acabam a coberto da boa-vontade do Senhor que já tinha dito para pedirmos porque ser-nos-á dado. Podemos até não estar no campo das certezas absolutas, mas estamos muito mais no campo das esperanças absolutas. Podemos até estar a pedir coisas que diante dele não merecemos ou não estamos tão preparados para as receber como podemos imaginar. Essa é a parte que fica sempre do lado dele, do nosso lado fica esperança de saber esperar pelo momento e pelo tempo certo. Tenho uma simpatia especial por esta mulher. Gosto dela porque clama pela misericórdia do Senhor, porque Ele num primeiro momento nem lhe responde, porque os discípulos queriam que fosse o próprio senhor a mandá-la, embora porque ela os perseguia gritando, porque ela lançou-lhe ao rosto a palavra Santa que qualquer humano lhe pode dirigir: “Senhor, socorrem-me!”. Gosto desta mulher porque ela não pede para ela, mas para a sua filha. Gosto dela porque o Senhor, ao dizer-lhe que não, lhe fala de ovelhas gosto dela porque ela insiste falando-lhe de cãezinhos indefesos, que com certeza não era ela mesma, mas a sua filha frágil, talvez indefesa e perdida, largada no berço, quem sabe se ainda muito pequenina! Gosto desta mulher sem nome porque a Igreja de Cristo teria a sensibilidade em imortaliza-la por toda a eternidade, porque foi ela que nos tornou a todos pequeninos e indefesos ao dizermos: “Não somos dignos sequer das migalhas caídas da Tua mesa; mas és Tu, Senhor, quem nos convida e é da Tua natureza ter sempre compaixão.” Como Ele no fim teve compaixão dela e como continua a ser vocação Universal do Senhor: a de ter Compaixão de todos!

José Manuel Cerqueira

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